quinta-feira, outubro 27, 2005
quarta-feira, outubro 26, 2005
Das coisas nascem coisas
Gosto tanto desta frase do Sr. Munari. Serve para quase todas as ocasiões.
Escrever "You can also shut off long, annoying commercials while picture remains on screen!" num cartaz publicitário, é estupendo.
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Sr. Nefasto
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9:28 a.m.
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segunda-feira, outubro 24, 2005
Já eram
Deliciosamente cruel. Assim são as crianças. Este painel inacabado mostra 4 famosos super-heróis já no fim dos seus dias. Terá Frank Miller vindo inspirar-se ao Passos Manuel para desenhar o seu Batman envelhecido? Somos presenteados com um Homem-Aranha, talvez a meio de tricotar uma meia, com uma manta pelos joelhos, um Hulk sem cabeça e talvez sem dentes, um Super-Homem alienado entretido a comer pipocas e um Batman adormecido a babar-se para cima dos chinelos.
Perfeito.
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O Despachante
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8:47 p.m.
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Fotografar o ecrã
Não me perguntem porquê, mas dei por mim a fotografar o primeiro Bond. Talvez tenha sido por causa de toda a carga mítica associada a esta Bond girl no momento em que sai das águas jamaicanas de conchas em riste.
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O Despachante
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8:26 p.m.
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sexta-feira, outubro 21, 2005
Gonna serve Somebody
You may be an ambassador to England or France,
You may like to gamble, you might like to dance,
You may be the heavyweight champion of the world,
You may be a socialite with a long string of pearls
But you're gonna have to serve somebody, yes indeed
You're gonna have to serve somebody,
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.
You might be a rock 'n' roll addict prancing on the stage,
You might have drugs at your command, women in a cage,
You may be a business man or some high degree thief,
They may call you Doctor or they may call you Chief
But you're gonna have to serve somebody, yes indeed
You're gonna have to serve somebody,
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.
You may be a state trooper, you might be a young Turk,
You may be the head of some big TV network,
You may be rich or poor, you may be blind or lame,
You may be living in another country under another name
But you're gonna have to serve somebody, yes indeed
You're gonna have to serve somebody,
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.
You may be a construction worker working on a home,
You may be living in a mansion or you might live in a dome,
You might own guns and you might even own tanks,
You might be somebody's landlord, you might even own banks
But you're gonna have to serve somebody, yes indeed
You're gonna have to serve somebody,
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.
You may be a preacher with your spiritual pride,
You may be a city councilman taking bribes on the side,
You may be workin' in a barbershop, you may know how to cut hair,
You may be somebody's mistress, may be somebody's heir
But you're gonna have to serve somebody, yes indeed
You're gonna have to serve somebody,
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.
Might like to wear cotton, might like to wear silk,
Might like to drink whiskey, might like to drink milk,
You might like to eat caviar, you might like to eat bread,
You may be sleeping on the floor, sleeping in a king-sized bed
But you're gonna have to serve somebody, yes indeed
You're gonna have to serve somebody,
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.
You may call me Terry, you may call me Timmy,
You may call me Bobby, you may call me Zimmy,
You may call me R.J., you may call me Ray,
You may call me anything but no matter what you say
You're gonna have to serve somebody, yes indeed
You're gonna have to serve somebody.
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.
Bob Dylan
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Sr. Nefasto
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9:16 a.m.
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quarta-feira, outubro 19, 2005
a utopia do Design
[...] A inquietação permanente de Daciano da Costa – nos projectos como na vida –, a sua capacidade para transformar os sinais desencontrados da realidade quotidiana em estímulos convergentes, a lucidez e inteligência com que encara as adversidades para as converter em agentes positivos são a lição que nos deixa a cada dia que passa. Daciano tem-nos ensinado a inquirir sempre a realidade com um olhar crítico, a alimentar, em relação a tudo quanto nos rodeia, um eterno e vital sentimento de mal-estar. Acredito também que só assim saberemos manter viva a esperança projectual – a utopia do Design –, que só assim poderemos reconhecer-nos no mundo que ajudamos a construir. [...]
João Paulo Martins, arquitecto FA | UTL
Outubro 2004
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Sr. Nefasto
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10:29 a.m.
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O Ti Belmiro é um sabichão.
Os supermercados são - todos sabemos - um negócio de ciganos. Mas o que não sabíamos era que o CPD gostasse desses negócios.
O Continente promove um concurso para jovens designers. Certo. Pede três (3!) linhas completas de coordenados cama/casa-de-banho/mesa. Enfim. Não tão certo. Como prémio nem um cêntimo para pagar a quantidade de trabalho. Apenas um estágio de três meses no departamento de produção da Sonae pago segundo o salário mínimo em vigor.
O QUE É QUE O PRESIDENTE DO CPD ESTÁ A FAZER COMO JURÍ DESTE CONCURSO?
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Sr. Nefasto
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9:07 a.m.
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Morreu o Mestre
[...]
Tuba mirum spargens sonum per sepulchra regionum, coget omnes ante thronum.
Mors stupebit et natura, cum resurget creatura, judicanti responsura.
Liber scriptus proferetur, in quo totum continetur, unde mundus judicetur.
Judex ergo cum sedebit, quidquid latet apparebit, nil inultum remanebit.
Quid sum miser tunc dicturus? quem patronum rogaturus, cum vix justus
sit securus?
[...]
REQUIEM [d-moll KV 626.], Mozart
Triste dia este.
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Sr. Nefasto
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8:58 a.m.
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terça-feira, outubro 18, 2005
FootNote.11
"I shift the position of my fingers, but that only makes the phrases even more hybrid. There are some odd letter changes and red zig-zag lines all over the place. In playful rebellion the words have grown to live a life of their own."
Footnote in Pag.11 of DOT DOT DOT 9.
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Sr. Nefasto
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3:41 p.m.
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quarta-feira, outubro 12, 2005
Odeio este tempo detergente
Odeio este tempo detergente
um tempo português que até utilizou
os primeiros acordes da quinta sinfonia de beethoven
como indicativo da voz do ocidente
chamada actualmente a emissão em línguas estrangeiras
um tempo que parou e só mudou
o nome que puseram num mundo que muda
a coisas que afinal permaneceram
um tempo português que alguma vez até em camões vê
o antecessor e criador de coisa como a nato
com a profética visão de quem consegue conceber tal obra
bem pouco literária por sinal e só possível graças à visão
de quem com um só olho vê as coisas quatrocentos anos antes
Odeio este meu tempo detergente
de uma poesia que discreta até se erótica antigamente
hoje se prostitui numa publicidade
devida a algum poeta público que a certo detergente
deu de repente esse teu nome musical de musa
a ti precisamente a ti nesse teu rosto sorridente
onde o poeta público publicitário porventura viu
sobressair teu riso nesse território de alegria
e a brancura mais alva nesses dentes alvejar
E eu que faço eu aqui em todo este tempo detergente quando
sinto subitamente cem saudades tuas
que posso que não seja odiar mais um meio que jamais
tentaria impedir evitaria um tempo que consente até contente
que faças dentro em pouco um ano mais
um meio onde nem mesmo eu mulher afinal sei
que terei de fazer para deter ao menos um momento essa tua idade
a tua juventude se possível anos antes de haver-te conhecido
por acaso e já tarde na cidade onde nasceste
cidade que unamuno diz viver morrer apenas por amor
amor morto ou mortal mas amor imortal
cidade solidão as ruas muita gente os sons o sol
difusos e confusos corredores de uma faculdade
folhas que se renovam rostos que outros rostos
tão firmes tão presentes permanentes um só ano antes
friamente destroem sem deixar sequer
ao menos uma marca nessa fria impassível pedra
o tempo os sóis dos séculos cingindo os cintos da cidade
dessa cidade onde o povo morre novo à volta
do mesmo monumento destinado a exaltá-lo
cidade onde afinal a paisagem é pretexto para o homem
cidade portuguesa ó portugal ó parte da hispânia maior
maneira triste de se ser ibéria onde
da terra emerge o homem que depois o rosto nela imerge
ó portugal dos pescadores de espinho
espinho do suicida laranjeira espinho praia
antiga amiga e conhecida de unamuno
a praia dos seus últimos passeios portugueses
angústia atlântica e odor ó dor olor a campo
praia que so' existe quando alguém a veste
coisa que foi somente quando tu mulher a viste
Aqui em portugal aqui na vasta praia portuguesa
aqui nasci e ao nascer morri
como morri a morte que por sorte sempre tive
pesadamente do mais alto do meu peso dos meus anos
em cada um dos sítios onde um dia estive
Aqui tive dezasseis anos aos dezasseis anos
aqui só vejo pés há muitos anos já
Aqui o meu chapéu de chuva mais ao sul aceita em chapa o sol
chapéu que fecho quando fecha o sol definidor do dia
Tive um passado agora inacessível um passado
tão alto como a torre do relógio da aldeia
que pontual pontua a passagem do tempo
um tempo não ainda detergente um tempo
afinal só visível no sensível alastrar da sombra
ao longo desse pátio só possível ao adolescente
que mais tarde e mais só e de maneira mais sensível
mais só se sentirá no meio da imensa gente
que se sentia ali entre a andorinha e a nespereira
Não o sabia então mas dominava um mundo
esse mundo que espero que me espere um dia ao fundo
lá quando findo o dia sob o chão me afundo e ao final
em terra e em verdade é que me fundo
Mas eu aqui completamente envolto neste tempo detergente
é da segunda-feira e da semana que preciso pois
posso lutar melhor por uma luz melhor
do que esta luz do mar à hora do entardecer
É da cidade é da publicidade é da perversidade
que preciso e não tenho aqui na praia
Não tenho nem o mar nem tão rudimentar
a técnica de olhar alguém as minhas mãos
para me devassar a vã vida privada
É de inverno é domingo estou sozinho aqui na praia
regresso a casa à noite apanho eu próprio a roupa no quintal
e tenho a sensação de quem alguma coisa
faz pela primeira e sente bem ou mal
que tarde toma agora o seu banho lustral
Ruy Belo
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O Despachante
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4:12 p.m.
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terça-feira, outubro 11, 2005
The Fatman and his Tale
Este desenho - não sei muito bem porquê - faz-me lembrar a enchente de anúncios "estilo novo-rico", feitos com muito dinheiro e sem nenhuma ideia. Temos neste pais várias empresas a facturar à séria graças ao descontrolo do seu mercado - telecomunicações, banca e bebidas alcoólicas (bem, álcool não conta que é um mercado que se quer descontrolado) e que por praticarem os preços mais altos da Europa sem terem verdadeira concorrência podem gastar fortunas em campanhas com tipos conhecidos.
A coisa é mais ou menos: Entra o dinheiro e a vedeta, sai a ideia.
O que mais me irrita não são os péssimos anúncios - que nunca me vou lembrar de nenhum - onde jogadores de futebol (com os dias contados, como todos) balbuciam duas linhas em troca de cheques muito grandes. Mas sim o facto destes gordos de anel de ouro e relógio suíço feito por encomenda ficarem com as mulheres e os carros desportivos.
Bem nem isso me irrita sequer, mas tinha que acabar a frase assim.
Mau mesmo é a ganância e a poluição visual que nos rodeia.
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Sr. Nefasto
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4:02 p.m.
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Draw & Drive
Now that the summer and the easy going almost nude drawings are over, a new and thrilling hobby as arrived. The Draw & Drive Contest!
But, attention! Don't try this at home.
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Sr. Nefasto
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11:18 a.m.
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segunda-feira, outubro 10, 2005
About you

Capas da MAD desde 1952 aqui. Estas duas são de 1997.
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O Despachante
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5:43 p.m.
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Ninguém pára esta derrota!
Perdemos! Perdemos! A Drª Felgueiras, o Dr. Isaltino e o Dr. Major ganharam.
Perdi há muito este país. Ou este país perdeu-me. Ou estou perdido neste país.
Ainda bem que instalei um programa que permite ver imagens de satélite de todo o mundo, com as suas ruas, esgotos e caminhos sem saída.
Vou procurar "Monument Valley".
Ontem, em vez de rever os super-directos eleitorais revi o "Era uma vez no Oeste".
Hoje de manhã ao estacionar, um velho vestido de Batman, com capa, máscara e emblema ao peito passou muito sério por mim. Ao chegar junto ao Painel de Alcântara tirou a máscara e a capa guardando-as cuidadosamente num saco verde brilhante. Como o mesmo olhar decidido seguiu caminho. O Painel está numa encruzilhada, é por isso um local de poder, um sítio telúrico e ancestral onde as forças deste mundo convergem. As forças e os iluminados.
Anseio por me livrar de metade das pessoas que conheço. Já não as aguento.
A força centrífuga da normalização social é coisa irresistível.
Conversa padrão, vida standard. Empréstimo pré-definido.
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Sr. Nefasto
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12:18 p.m.
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Imagens para os números: ter ou não ter expressão?
A indiferença aos números disparados pelos telejornais faz parte do modus vivendi de quem vive em sociedade, especialmente nesta sociedade de informação. A fraca memória é condição essencial para não andar constantemente a tomar Prozac e Xanax. “19 mil pessoas perderam a vida no recente terramoto que assolou o Paquistão.” O que é que esta informação vai provocar na minha vida? Vou andar cabisbaixo o ano inteiro? Vou comentar com um ou dois colegas e depois morre o assunto? A minha preocupação é maior ou menor se o número fosse 50 mil mortos? 200 mil?
Desenvolvemos uma carapaça contra aquilo que não nos é próximo e por vezes até contra o que nos é próximo. Nos Estados Unidos a policia aconselha as mulheres a gritarem “FOGO!” caso sejam violadas, para garantir que alguém realmente aparece. Tal como os médicos, não podemos ficar agarrados aos pacientes que nos morreram nas mãos ou às desgraças que nos invadiram o televisor e páginas de jornais.
Fui ver a exposição World Press Photo e o sentimento generalizada que nos é despertado é a sensação de desumanização, da desgraça humana. A expressão da dor e da injustiça continua a ser o tema ideal para as fotografias ganharem prémios. Até nas fotos de desporto o que ressalta são os inválidos.
O Homem é notícia quase sempre pela negativa. Uma das mais belas fotos da exposição é a de um elefante preso com correntes. O Homem está presente nas correntes e a legenda ainda nos informa da sentença: preso por ter morto vários homens.
Mas a fotografia que mais me indignou é a de um grupo de trabalhadores estropiados. A legenda aumenta a crueza da imagem: Numa fábrica de reparação de aparelhos de ar condicionado na China, uma média de 27 trabalhadores perde um membro por dia. A fábrica onde trabalham não fechou, não instaurou um inquérito, não reviu as normas de segurança, não quis saber. Para o Estado e para os donos da fábrica aquelas pessoas não têm expressão. Outra foto, outro número: a cada 26 segundos uma mulher é violada na África do Sul.
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O Despachante
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12:09 p.m.
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sexta-feira, outubro 07, 2005
quinta-feira, outubro 06, 2005
segunda-feira, outubro 03, 2005
Expression to the people



Há muita gente com coisas a dizer.
Via El Sr. Garcia.
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O Despachante
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3:34 p.m.
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sexta-feira, setembro 30, 2005
quinta-feira, setembro 29, 2005
Vocês sabem lá

Depois de deambularmos por Alfama chegámos, cedo.
O cicerone/cantor estava à porta de mãos a tremer. “Estamos à espera de uns amigos, não vamos entrar já.” – dissemos. “Pois, eu também estou à espera de um colega para me ir comprar cigarros.” “Nós vamos lá.” E assim fomos com as moedas tremelicantes que nos deu para a mão. É bom constatar que na grande cidade (para ler com um tom sarcástico) ainda há pessoas que confiam em aparentes desconhecidos. Depois de umas quantas garrafas de vinho e várias escolhas falhadas de pratos, depois de vários conhecidos artistas (Mena Sobral, Manuel Tony e outros convidados), depois de o cicerone dar várias lições de firmeza na voz, capturei-o assim, respeitoso e sereno, a este Dragão de Alfama.
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O Despachante
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10:07 a.m.
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quarta-feira, setembro 28, 2005
Frase do Briefing II
"O nosso interlocutor é pouco seguro e pretende ter uma boa proposta ao menor preço."
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Sr. Nefasto
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2:47 p.m.
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Frases do Briefing I
"Impactante do ponto de vista do design e dos materiais a utilizar (importante: a identidade ... é prata)"
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Sr. Nefasto
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11:38 a.m.
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terça-feira, setembro 27, 2005
Cartridge
Antes do iPod e dos mp3, antes dos Discman e CD's, antes das cassetes, autorádios e tijolos de ombro, nos finais dos anos 60, os vinis viviam em união de facto com estes objectos.
Obrigado Sr. Moreira pelo objecto e foto.
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O Despachante
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12:00 p.m.
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sexta-feira, setembro 23, 2005
Lavar os olhos

Estou muito triste com aqueles entre vocês que não foram ao museu do Chiado ver e ser as "One Minute Sculptures" do sr. Erwin Wurm. Muito mesmo.
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O Despachante
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5:06 p.m.
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Zapping de coisas sobreouvidas
“Para poder investigar causas de impotência investigadores criaram uma tinta verde fluorescente para o esperma.”
“Médicos vão escolher primeiro doente para transplante de cara.”
“Quando a conversa aumenta de interesse, o nível baixa.”
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O Despachante
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10:59 a.m.
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A Fátima está em liberdade, uma das poucas pessoas que desejo ardentemente ver encarceradas.
O Sr. Dr. Paulo Macedo envia-me esta carta para a conta do Hotmail (serei inconsciente?)
"Ex.mo(a) Senhor(a): A DGCI disponibilizou na sua página da Internet (www.e-financas.gov.pt), duas novas funcionalidades, de que gostaria de lhe dar conhecimento:
1. – A CONSULTA DE DÍVIDAS EM EXECUÇÃO FISCAL E O RESPECTIVO PAGAMENTO.[...]
2. – A CONSULTA DOS PROCESSOS DE CONTRA-ORDENAÇÃO POR INFRACÇÕES FISCAIS, BEM COMO O PAGAMENTO DAS RESPECTIVAS COIMAS.[...]
O Director-Geral dos Impostos, Paulo José Ribeiro Moita de Macedo."
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Sr. Nefasto
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9:23 a.m.
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quarta-feira, setembro 21, 2005
Num Solar assim
Num Solar assim, numa noite Destas, o mendigo Tal veio ter comigo como sempre.
Numa cortesia ensaiada pediu-me um cigarro, por favor.
Num sorriso mais de mim do que para ele estendi-lhe o cigarro.
Recebi um "Merci bien", porque para o mendigo Tal eu já podia ser um francês qualquer.
Afastou-se com o seu sobretudo preto e o seu panamá branco,
foi meter conversa com os ingleses do lado. "Bon Soir my dears, do you have fire?".
Bem podia ser um Lord que bebeu demasiado gim no fim de tarde e rebolou pelo campo de críquete.
Peço outra cerveja. Podia pedir mais outra e outra mais.
Para me ir sentar ao lado do mendigo Tal.
Esta estranha familiaridade, como se fosse um daqueles clientes de sempre,
da mesa marcada e prato do dia.
O mendigo Tal passa de novo, como se fosse a primeira e sempre a mesma vez.
O empregado traz mais outra cerveja que ainda não pedi. Mais ia pedir.
Acendo o Cigarro. Igual ao anterior e ao seguinte.
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Sr. Nefasto
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5:19 p.m.
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Tavira em itálico
E como não há coincidências aproveito para saudar a chegada dos nossos novos vizinhos do lado. Partilhamos inclusive o patamar.
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O Despachante
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11:06 a.m.
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Terrorismo ou golpe de misericórdia para com o banal?

Como calculo que os nossos ilustres visitantes ainda não tenham explorado com a devida atenção os links que dispusemos aqui do lado direito, aqui vai um cheirinho de bom terrorismo visual.
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O Despachante
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9:54 a.m.
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terça-feira, setembro 20, 2005
Vingança objectiva
- No outro dia não gostei da maneira como me trataste num sonho. Estamos de relações cortadas.
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O Despachante
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8:56 a.m.
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segunda-feira, setembro 19, 2005
Experimenta? Qual Experimenta?
Experimenta é uma revista sobre a cultura do projecto: desde a ideia geradora e o seu contexto até à produção definitiva e à sua influência na sociedade. Apresenta-se como um projecto comum entre designers, leitores e empresas do mundo do design. Tem secções fixas como o "Observatório", onde se examinam as novas tendências e novidades, "Documentos" como contribuições teóricas dos principais nomes do design, da crítica de design e da estética, e "Perfil" uma monografia sobre o percurso de um designer ou de um atelier de design. Existe desde 1989 e foi fundada em Madrid.
A outra Experimenta existe desde 1999 e é uma Associação Portuguesa. Tenho entre outras maravilhas "experimentais" esta última história:
EXD05, Exposição na Estufa Fria, domingo - 1º dia após a inauguração - 5h da tarde, à porta informo o porteiro ao que ia: “Venho ver a exposição da Experimenta”, ele responde: "Claro, mas tem que pagar a entrada, são 1.5euros por pessoa", "Está bem". Dois longos minutos depois, e porque conhecia a Estufa Fria, já que nenhuma indicação no interior nos levava até à exposição - isto deve ser Design do moderno - chego à entrada. Desde dentro um segurança faz-me sinais de fechado. Mas que é isto? Bato à porta, obrigando o segurança a mexer-se e a abrir a boca: "Está fechado.", "Desculpe?", "Já lhe disse, está fechado, temos que fechar 30 minutos antes para desligar os computadores", "Mas na entrada venderam-me o bilhete...", "Não tenho nada com isso".
Um minuto mais tarde - que irritado ando mais depressa - estou na portaria.
"Nós aqui não sabemos de nada, nem sequer temos um programa para informar as pessoas, não sabemos qual é o horário", "Mas neste cartaz gigante e masturbatório sobre a porta não vem o horário?", "Não."
Entretanto chega um rapaz - voluntário, seguramente - que diz: "Pois, lamento, nós não dissemos nada, mas ninguém nos disse nada."...
Enfim, nem me apetece continuar com isto.
Não vou voltar a falar nesta gente, nos seus centos de convites para os seus centos de festas, das exposições de coisa nenhuma que vão a lado nenhum, nunca mais.
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Sr. Nefasto
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11:15 a.m.
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sexta-feira, setembro 16, 2005
Filosofia oriental
- JÁ REPARASTE COMO AS PESSOAS TENTAM SEMPRE FAZER DUAS COISAS DE UMA SÓ VEZ? FALAM AO TELEFONE ENQUANTO CONDUZEM, VÊEM TV ENQUANTO COMEM, OUVEM MÚSICA ENQUANTO TRABALHAM. AS PESSOAS NÃO SE DEDICAM A UMA SÓ COISA PARA A SABOREAREM OU FAZEREM-NA BEM.
- ESTÁS A DAR CABO DA MINHA CONCENTRAÇÃO. (DIZ HOBBES A DORMITAR NUM TRONCO DE ÁRVORE)
- NÓS DEDICAMO-NOS A NÃO FAZER NADA!
Enquanto lia esta tira do Calvin, atravesso a rua e um carro quase me atropela porque o condutor lutava com um macaco de nariz.
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O Despachante
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10:00 a.m.
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quinta-feira, setembro 15, 2005
Sink
"Drama is life with the dull bits left out."
Sir Alfred Hitchcock
Mas caro Sir, o enfadonho pode ser fascinante, por exemplo: adoro este simples e banal lavatório.
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O Despachante
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3:50 p.m.
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quarta-feira, setembro 14, 2005
Johnny Cash, part II
I was about nine years old and I was watching the TV with my mother and father. This was in the town that I grew up in Victoria, Australia. Anyway, The Johnny Cash Show came on...the first time on Australian television. At this time I had no real concept of what music was about, or even that it particularly interested me. The show started off with Johnny Cash's back to you, silhouetted, and then he'd swing around, look into the camera, and say, "Hello, I'm Johnny Cash," and then off he goes, you know, the man in black. I remember that very, very clearly, because it was the first time that I saw, what was to be the forbidden side of rock and roll. It was my first taste of the outlaw in rock music, and I suddenly took an interest in rock and roll music. Before that I was listening to the Tijuana Brass, you know, "Spanish Flea", stuff like that. I still had a child's view of music. So I guess you could say that Johnny Cash broke my cherry. What I thought at the time, as a kid in short trousers, was that I saw something evil in music, and that had a huge effect on me. So all through my life - all through my growing up, through my teens, through punk music, through the music I make now, Johnny cash has always been there.
—Nick Cave
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Sr. Nefasto
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2:09 p.m.
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The Man Comes Around
There's a man going around taking names
And he decides who to free and who to blame
Everybody won't be treated all the same
There'll be a golden ladder reaching down
When the Man comes around
The hairs on your arm will stand up
At the terror in each sip and in each sup
Will you partake of that last offered cup?
Or disappear into the potter's ground
When the Man comes around
Hear the trumpets, hear the pipers
One hundred million angels singing
Multitudes are marching to the big kettledrum
Voices calling, voices crying
Some are born and some are dying
It's Alpha and Omega's kingdom come
And the whirlwind is in the thorn tree
The virgins are all trimming their wicks
The whirlwind is in the thorn tree
It's hard for thee to kick against the pricks
Till Armageddon no shalam, no shalom
Then the father hen will call his chickens home
The wise man will bow down before the thrown
And at His feet they'll cast their golden crowns
When the Man comes around
Whoever is unjust let him be unjust still
Whoever is righteous let him be righteous still
Whoever is filthy let him be filthy still
Listen to the words long written down
When the Man comes around
Hear the trumpets, hear the pipers
One hundred million angels singing
Multitudes are marching to the big kettledrum
Voices calling and voices crying
Some are born and some are dying
It's Alpha and Omega's kingdom come
And the whirlwind is in the thorn tree
The virgins are all trimming their wicks
The whirlwind is in the thorn tree
It's hard for thee to kick against the pricks
In measured hundred weight and penny pound
When the Man comes around.
Johnny Cash, AMERICAN IV: The Man Comes Around.
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Sr. Nefasto
às
10:25 a.m.
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e
"e tratava das tarefas domésticas como se eu não existisse, ou fosse da casa, o que dá no mesmo."
Chico Buarque - Budapeste
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O Despachante
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9:12 a.m.
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terça-feira, setembro 13, 2005
Desenho sincronizado
Durante 10 minutos eu e o Mr.Crumb estivemos - muito provavelmente - a pensar no mesmo.
Que grande privilégio.
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Sr. Nefasto
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6:00 p.m.
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Sem saida
Temos aqueles espelhos nos cruzamentos e entroncamentos. Para ver quem vem lá, para ver o caminho que se esconde depois daquela esquina mais apertada. E temos outros espelhos que apontamos para o futuro mas que não reflectem nada, não mostram nenhum caminho.
Damos nomes inteligentes a esses espelhos. Fazemos cartazes a fingir que compreendemos os nomes inteligentes, como se fossemos tão inteligentes como os nomes que temos.
Mas é tudo uma casca, uma película aderente de curta duração. Depois as mesmas pessoas com as mesmas conversas, para mais beberetes e fotografias nas revistas.
Que asco.
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Sr. Nefasto
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9:14 a.m.
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segunda-feira, setembro 12, 2005
jacarandá
Não sei como é que foi possível. Tenho mesmo dificuldades em encarar-me. Como é que eu pude deixar passar em claro um dos acontecimentos mais marcantes de Lisboa? Que desleixo o meu só agora dar espaço neste canto escuro às árvores que salpicam a cidade de lilás e tornam peganhentos os passeios. Foto tirada em Junho a partir de uma janela do bar do Chapitô.
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O Despachante
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4:50 p.m.
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sexta-feira, setembro 09, 2005
Empenas
São tantos os casos em que a destruição é bela que talvez nos devessemos preocupar. Talvez.
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O Despachante
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6:07 p.m.
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quarta-feira, setembro 07, 2005
Ashes to ashes
This Fire
Eyes
Boring a way through me
Paralyze
Controlling completely
New
There is a fire in me
Fire that burns
Fire that burns
This fire is out of control
I'm going to burn this city
Burn this city
If this fire is out of control
Then i
I'm out of control
And i burn
Eyes
Burning a way to me
Overwhelm
Destroying so sweetly
New
There is a fire in me
Fire that burns
Fire that burns
This fire...
Franz Ferdinand
No passado dia 28 de Agosto o Festival Lisbon Soundz misturou Bunnyranch, Jimmy Chamberlin Project, Mogwai e Franz Ferdinand com o cheiro a peixe da Docapesca. Dos primeiros não reza este post, ainda era muito cedo; o segundo, projecto do ex-baterista dos Smashing Pumpkins confundiu tudo: música com ruído e público dos smashing com público dele; os terceiros foram demasiado bons para todo aquele ar livre, mas bons; os quartos foram figuras-espectáculo com tudo pensado ao milímetro para, um dia, daqui a pouco tempo, serem percepcionados como super-estrelas da música. Tão pensado que nem cantaram um dos seus hits “This Fire” por respeito a um pais assolado pelos incêndios. Ninguém haveria de se preocupar com a ironia da letra, mas foi atencioso. Até porque a letra fala de uma cidade a arder, segundo li é uma referência ao clássico “Margarita e o Mestre “ do escritor russo Mikhail Bulgakov, onde a personagem principal incendeia Moscovo. Já agora e para dissipar quaisquer dúvidas, nenhum dos membros da banda se chama Franz, o nome foi roubado ao arquiduque da Áustria Franz Ferdinand Karl Ludwig Joseph, cujo assassinato em Sarajevo desencadeou a Primeira Guerra Mundial. Ah, e o raio da música não me sai da cabeça.
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O Despachante
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3:06 p.m.
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Hipóteses

Se ponderasse fazer uma tatuagem ao mesmo tempo que pusesse a hipótese de mudar de sexo era isto que eu quereria.
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O Despachante
às
2:20 p.m.
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terça-feira, setembro 06, 2005
A paisagem repetida
Oliveiras e mais oliveiras e os sobreiros do costume com ceroulas vermelhas acima da cintura. Há uma planície praticamente inalterável enquanto se vai intervalando várias terras e terreolas com o banco de imagem de fundo, Marvão, Portalegre, Sousel, Avis, Casa Branca, Cano, Água Todo o Ano, Domingão, Cansado. Tanta ironia nestes nomes, demasiada. Desconfio da arrumação, desconfio quando tudo está direito,
não é natural.
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O Despachante
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10:49 a.m.
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La Barbe au Papa
A relação nome-objecto é muitas vezes fruto do acaso, escapando às apertadas malhas da filologia. O "Algodão-doce" em francês chama-se "Barba do Papá", isto é bizarro. Não consigo comer algodão-doce em França, lembro-me logo do pérfido avô da Heidi.
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Sr. Nefasto
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9:45 a.m.
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quinta-feira, setembro 01, 2005
Brinhol
Sempre gostei de feiras. Têm neons, lâmpadas fluorescentes, incandescentes e intermitentes. Cheiram a minis e bifanas, a pipocas e algodão doce e acima de tudo têm Brinhol.
Claro que quêm não é do sul não faz a menor ideia do que é o brinhol. Ou do que são as pipas.
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Sr. Nefasto
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9:01 a.m.
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