terça-feira, janeiro 02, 2007

Bodies

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É incrível como depois de milhares de anos a servir de tema principal à arte em geral, o corpo continua a permitir-nos desenterrar velhas discussões e a descobrir novos ângulos de observação.
Estas fotos foram tiradas (à socapa) na exposição itinerante Bodies, exposição que não escapa às polémicas "Educação ou Freak Show?" Cultura ou Cadáveres?" No caso de Amesterdão, várias cruzes de madeira colocadas no passeio e à entrada, levantavam a dúvida "Os ex-ocupantes dos corpos deram autorizaçãõ?" "Será isto ético?"
É bem provável que não, os corpos pertenciam a ex-ocupantes de prisões chinesas.
De qualquer modo é extremamente novo ver um corpo só constituído por vasos sanguíneos, olhar para outro em que os músculos estão todos arrancados e presos apenas num ponto, tocar num cérebro, ver um corpo todo cortado às fatias, observar fetos reais (nada de ilustrações científicas ou ecografias, é tudo a sério) com 2, 3, 4, 5 semanas. Seriam também presos chineses? Pelo que percebi a novidade que permitiu esta exposição é um líquido injectado nos corpos que os permite conservarem-se como nunca foi possível. Vejam o requinte do esforço didáctico, retiram a pele, mas deixam lábios e mamilos como referência.
Áh, e por falar em "Bond 2007" no último Bond há uma cena com corpos assim, não sei se é a mesma exposição ou uma outra de um alemão maluco que também anda por aí a circular.

3 comentários:

anita_semi_reencarnada disse...

Comprei um livro para oferecer no Natal que se chama "A vida secreta dos cadáveres".
Além de ter proporcionado um muito divertido momento de silêncio ao ser desembrulhado, traz uma série de factos interessantes. A curiosidade mórbida move os homens, de forma que, até ao século passado, as operações e as autópsias eram mais uma forma de divertimento público que uma possibilidade de cura para os pacientes. As execuções também eram feitas em praça pública e nem me vou alongar sobre o enorme espectáculo do circo máximo.
Na verdade, esta exposição é só, muito bem mascarada de cultura e vanguarda, a velha curiosidade humana sobre todos os pormenores altamente biológicos e primitivos que nos dizem respeito.
Depois de ter lido, num livro do Umberto Eco (!!), que o homem odeia o cheiro de todos os excrementos, excepto os próprios, já nada me surpreende.

Anónimo disse...

o que fazem os ares do alentejo...
:)

Anónimo disse...

Primeiro que tudo, esta exposição para além de uma compreensivel primeira impressão de morbidez, tem sobretudo um caracter educacional e elucidativo. Muito boa gente não conhece o seu próprio corpo e terá a oportunidade de ver ou mesmo tocar em alguns orgãos. Não vejo qual o mal de mexer numa coisa que faz parte de nós. Já lá vai o tempo em que falar do corpo era o mesmo que falar de sexo, um tema assumidamente de censura.
Segundo, os corpos são de chineses, sim, mas não de prisioneiros. Estas pessoas inscreveram-se num programa de doação de corpos e orgãos e deram a devida autorização para serem expostos.
Terceiro, os cadáveres foram sujeitos ao processo de polimerização: desidratados com acetona e sistema de vácuo adquirindo volume através de polimeros de silicone. Os corpos ficam inodoros e são pintados para a exposição. Muito provavelmente muitas pessoas acham que se trata mesmo de plástico.
Para além de dar a conhecer o corpo humano, esta exposição ensina as pessoas a tratar bem do seu corpo (nela podemos ver por exemplo pulmões saudáveis e pulmões completamente negros...). Ideal para quem quer deixar de fumear. E agora com a nova lei, é de aproveitar :)
Por último, o mentor deste projecto não foi nenhum maluquinho sado. Chama-se Roy Glover e é um conceituado médico norte-americano.