quarta-feira, fevereiro 01, 2006

correcto, político.

Temos que ser do nosso tempo. Acredito nisso quase sempre, mas de quando em vez irrita-me solenemente estes tempos correctos em que vivemos. Tão certinhos, democraticamente intolerantes com a divergência. A moral, esta que está instalada como a certa, a bem pensante apertou de tal forma o cerco sob a casca de correcta e tolerante que sufoca na sua bondade universal.
Estamos espartilhados por uma norma puritana. Não fumamos porque faz mal, não bebemos porque faz mal, não excedemos os limites porque faz mal, não dizemos o que nos vai na alma porque faz mal, não comemos como selvagens porque faz mal. Não damos tabefes porque faz mal. Faz mal, faz mal. Tudo faz mal, menos não fazer nada e ficar quieto e manso.

Pois que não. Que estou farto. Que merda é esta de madorna? Que entorpecimento é este que transforma os jovens rebeldes em cordeiros amansados? Onde estão os nossos "Misfits"? Os divergentes, os inadaptados?
Acordem! Acordem-me! Acudam-me!


O cinema dos anos setenta na América era mais ousado que o cinema independente europeu dos dias de hoje. Os pintores, os arquitectos e os designers dos anos oitenta tinham mais sentido de humor que os de hoje. Agora ninguém parte nem um ovo sequer. Tudo é ecológico, reciclado e reutilizável. Acético e inodoro.


INODORO.

2 comentários:

anita_vai disse...

Sr. Nefasto, hoje está particularmente Dr. Mefisto. Que é um personagem que faz falta neste blog. Gosto de o ler bistúrico.

Sr. Nefasto disse...

Repara Anita, como todos censuramos uns nórdicos conservadores porque com um desenho - essa arma de destruição global - despertaram a ira duns tipos que ainda desfrutam alegremente da vida na Idade Média.
E como descobrimos por meio da Igreja Católica - outros ressabiados com o fim da dita Idade - que em Madrid se representam coplas obscenas que satirizam a figura desde e de outros Santos Padres.

Paus e pedras podem partir-me os ossos... Diziam, mas pelos vistos basta uma folha A4 e uma esferográfica.