segunda-feira, outubro 22, 2007

Cliché ma non troppo



A melhor motivação para continuar a trabalhar em criatividade é a suspeita de que "já tudo foi inventado", seguida da certeza "tudo se pode reinventar".

sexta-feira, outubro 12, 2007

On the cover of a magazine

Apesar de apreciar a opinião do Sr. do Oscar Wilde quando diz que “fashion is a form of ugliness so intolerable that we have to alter it every six months.” tem-se falado pouco de moda por estas bandas e este é o post que vai preencher a lacuna.

Está convencionado desde que existem revistas de moda e tratamento de imagens que a capa deste tipo de revistas terá sempre uma linda mulher, quase nua ou quase vestida, seja a nova coqueluche das modelos ou uma actriz/cantora com alguma forma de sex-appeal.

Está mais que provado que a capa envolverá um fotógrafo da/de moda e respectivos responsáveis por styling, hair stlyling e make-up.

E toda a gente sabe que a capa terá uma dezena de títulos que falarão de temas tão importantes e variados como Malas, Vestidos, Acessórios, Botas, Jeans, What´s Hot, What´s Trendy, What’s New, Lindsay Lohan, Namorados, Homens, Sexo, Dating Tips, Traições, Ménages, Férias, Estilo, Dietas, O Cancro da Mama, Anti-depressivos, Cremes de Beleza, Celebridades, Maquilhagem, Verão, Primavera, Outono e Inverno. Lá dentro, mais de metade do peso será obviamente publicidade.

Certo?

Tudo errado.

E se agora formos para trás do mundo das revistas na tentativa de encontrar um candidato para substituir a mítica editora da Vogue americana, Anna Wintour, a tal que inspirou a criação de Miranda Priestley a editora com o corpo da Meryl Streep em O Diabo Veste Prada?


Ele já existe e pegou ao serviço há cerca de um ano, chama-se Scott King e traz no portfólio um projecto com o premonitório título de “How I’d Sink American Vogue” entre outros projectos para as revistas i-D e Sleazenation.

O primeiro número da era King tinha, como se pode ver, uma capa completamente tipográfica, estava inteiramente dedicada ao tema “anti-guerra” e era grátis.

O número de Maio tinha o popular título “635 Poor People Upside Down”.



Em Julho a revista não tinha um único anúncio e em vez de sacos de praia ou chapéus de sol oferecia um clipe anticapitalismo.



Brevemente voará para as bancas o número de Novembro, onde mais uma vez figura uma bela modelo, neste caso um belo exemplar da espécie Brotogeris versicolorus chiriri que defende para si um estatuto de deusa.





Chegou a altura de confessar: nunca me senti tão em sintonia com o mundo da moda.

segunda-feira, outubro 08, 2007

De novo

As páginas levam-te a novas páginas, a novos cadernos, a um novo desenhar do caminho que carregas na tua lombada. Umas vezes mais rasurado, outras mais seguro, simples e icónico, como a popa do Tintin. Os caminhos são assim, por vezes tortuosos, por vezes simples e a direito, curiosamente esta costuma ser a parte mais soporífera.

A máquina fotográfica é mais vampiresca e por vezes rebenta de tantas imagens repetidas sem grandes planos no momento de capturar as suas presas. É assim que os caçadores funcionam, ficando depois com uma arca frigorífica cheia de lebres e perdizes que não conseguem consumir nem lamentar. Mas felizmente (além do luar) há sempre um novo enquadramento, uma nova nuvem na composição, um novo erro que descobre novidade onde aparentemente só havia cópia.

As decisões são sempre perdas e dor, mas também conquista de novos territórios onde podemos fazer um chichi, tirar uma foto ou fazer um desenho, como quem diz, olha ali atrás fiz isto, deixei um bocadinho, um ventrículo, uma orelha ou um pouco da minha capacidade de acreditar. Mas volta a crescer, voltas-te a apaixonar e voltas a fazer parvoíces como senão houvesse ontem.

Viras as costas, mas elas ficaram lá, dás mais uns passos, pontapeias mais uns pedregulhos e descobres as ligações entre os actos ou, se for preciso, inventa-as porque a tua vida é a tua ficção. É assim que eu a vejo, não está predestinada, não está profetizada, está escrita por ti, aqui e agora, da única maneira que se escreve em viagem: em cima do joelho.

E claro que rebentas, rebentas de todas as formas escatológicas, ilógicas e metafóricas possíveis, rebentas de tristeza e de felicidade, porque os grandes momentos, de clarividência duram um nanosegundo. O divino, a ser alguma coisa, é isso, o momento em que (te) descobres em algo de novo que esteve sempre à tua frente, pode ser numa sinistra gárgula do Sacré Couer, numa lágrima sem razão, num retrato de infância com aquela camisola de lã horrível, numa amizade que se torna paixão ou no momento em que te apercebes da grande asneira onde te enfiaste de cabeça, tronco e membros. É então que partes para o próximo equívoco.

Vais mudando o caminho que pisas, terra batida, relva, piso sintético, até que um dia, quando eu e tu formos velhos o suficiente talvez seja só isso que conquistámos:
a certeza que os nosso melhores momentos só se fizeram graças a uma monumental dose de ingenuidade.

Faz-me um favor, mantém-te fresco, ridículo, sôfrego e trôpego, continua nesse percurso que é só teu, onde seguramente nos vamos encontrar nas estações de serviço mais empoeiradas. Reclama e vocifera contra os buracos no caminho, faz uso do contraditório, muda o que tiveres a mudar, rebenta com o que for preciso, dinamita caminhos e os ramais de acesso. E depois volta, de novo.

Peço desculpa pelo tom um pouco evangelizador, mas voltei agora de uma viagem de cinco dias por Madrid que me encheu de novo e de ingenuidade. Mas sobre este tema falará melhor um senhor que todos gostamos aqui neste canto nefasto, funesto e limitado:

Certainly one advantage of 'youth' in the arts is ignorance, to know so little as to be fearless. To not grasp that certain things one may dream up are actually impossible to do. When I finished Apocalypse Now I of course thought 'If I knew then what I know now, I wouldn't have even tried..." Certainly old age brings 'experience' and that is not to be discounted, but in the arts, fearlessness is a more desirable genie than experience. Fearlessness is cousin to innovation, whereas experience can be the parent of fear. Once you've fallen out of the tree a few times; felt the pain of those bruised knees and suffered the embarrassment of the inevitable ridicule —it's much more difficult to be as daring in what you do, or even what you attempt to do.


F. F. Coppola

(aconselho a leitura do restante texto onde Coppola discorre sobre a criatividade dos criadores na sua juventude in secção “Diary” presente no site do seu novo filme - Youth Without Youth).

terça-feira, outubro 02, 2007

e o caminho?

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as páginas cheias de desenhos que não levam a lado nenhum.
a máquina cheia de projectos que não trazem alegria nenhuma.
as decisões estranhas que não se sabe porque se tomam.
a tristeza e a desilusão.
viras as costas a coisas que nem sabes o que são.
só vais parar quando rebentares.
rebenta. rebenta. rebenta.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Memorabilia




Viagens relativamente recentes, a Paris, onde desenhei, entre outros personagens, um americano a folhear livros na Shakespeare & Co. e a Trois Vallées num desenho do grande ilustrador João Paulo que captou a essência de 4 aventureiros em busca do "bom pacote" e da boa Raclette. E um Ai! para aquele "vin chaud" reparador, a melhor mezinha para esquecer um corpo dorido.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Holyday Pics


Chama-se Aníbal Bandeira, faz cata-ventos e funilaria numa das margens do rião Gilão, em Tavira.












E assim inesperadamente, depois de um belo arroz de polvo realizado pelo mestre Salavisa, iluminado pelo luar e acompanhado pelo movimento das osgas na parede, descobri que a Nokia, em tempos, teve um telemóvel do tamanho de um frigorífico.





Mais um belo exemplo da ingénua e original contrafacção, desta feita sendo a Cami a elogiada.









M.I.A. em Paredes de Coura, o melhor momento da única noite em que espreitei este festival. Memorável também, a pior zona V.I.P. da história das zonas V.I.P.'s, houve Heineken e limoncello para beber, 3 ou 4 cadeiras e um caldo verde para comer.






Durante a exploração nortenha, descobri em Valença do Minho uma loja de desporto que possuía este singelo santuário.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Vulgarism

O "ismo" que nos faltava, para os tempos que escorrem.
Vulgar a esmagadora maioria das misturas design-arte que incansavelmente nos assaltam .
Vulgar a atitude de moda, de pseudo-conceito, de modernidade.
Tábua rasa, ponto zero da memória.
Como se a herança de décadas de prática e pensamento não existisse.
O design transformado em decoração, as ilustrações vazias de conteúdo e significado, meras colagens apresadas de temas globalmente atraentes apresentadas como design experimental.
Vulgar floreado e artificio.
Dediquei os últimos dias a uma procura exaustiva nas dezenas de revistas on-line de arte, design, arquitectura, moda e afins, coisas realmente novas, com significado e razão de ser, e não encontrei quase nada fora do vulgarism, quase nada para além do onanismo-estético-técnico.

Sinto-me impressionantemente vulgarizado.

segunda-feira, agosto 06, 2007

# caderno

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por fim

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um dia de folga para desenhar descansado.

Algures

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...num sitio onde o tempo não avança.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Fuck the pain away

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Encontrei o senhor cujas fotografias contêm as pessoas que sempre quis desenhar.
Sacana, eu sabia que andavas por ai...

Natureza Viva

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Estou maravilhado com a poética simplicidade metaforica desta fotografia.
Quando ultrapassar esse maravilhamento, vou escrever um texto cheio e belo
sobre o tema. Mas ainda não será hoje.

Uma questão de princípio

- Tem o Público, por favor?
- Não.
- Já não tem ou ainda não tem?
- Não tenho.

(Diálogo existencialista tido hoje às 9 da manhã)

Uma classe

Simpsons The Movie é uma ode à ironia ao sarcasmo e à crítica social. Quando acabou só queria voltar ao início para saborear com mais olhos cada pormenor.

quarta-feira, agosto 01, 2007

O lambidinho




Eu não gosto de pintura lambidinha, não gosto de pintura feita por cima de fotografias e provavelmente não gostaria de Terry Rodgers se alguma vez o conhecesse. Mas esta pintura tem algo que me apela (não são as maminhas ao léu!) e não sei bem o quê. Talvez seja o falso glamour de aparentes festas de deboche em contraste com posições corriqueiras de mulheres que se levantam ou que se sentam como se nada fosse, talvez seja a repetição das encenações e dos modelos que parecem pensar na importância dos buracos negros. Ou talvez esteja a inventar um "je ne sais quoi" só para justificar uma inexistente mas salutar cota de maminhas ao léu neste negro blog.

terça-feira, julho 24, 2007

Penny or a Smile

Penny or a SmileAre you really 17?
Yes
Have you taken any schooling or special courses related to photography?
Nope

Assim começa uma série de perguntas a Joey, que vive em Lindsay, Canadá, mas que já tem carreira internacional.
Vale a pena dar uma vista de olhos no portfólio, especialmente em Homeless. Trabalho de gente grande.

Señor Flores em Lisboa


Estes desenhos deixam-me verde alface.

segunda-feira, julho 23, 2007

Summer - 0 / Really Stupid Weather - 1


Fotos de Andrew Eccles para o New York Times. Talvez com a ajuda de Scarlett e Woody o Verão ganhe ao tempo "indecinzento" com um belo matchpoint.

quinta-feira, julho 19, 2007

Escrever para falar

"Escrevo para poder corrigir o que digo." - Enrique Vila-Matas, ontem na TSF

quarta-feira, julho 18, 2007

I Wonder - The Art of Sexual Innuendo

A categoria filme noir é reconhecida, acima de tudo, pela crueza e sujidade dos diálogos. Este é retirado de Double Indemnity, filme de 1944 de Billy Wilder, com Fred MacMurray (Neff), Barbara Stanwyck (Phyllis) e Edward G. Robinson (Keyes).

Neff, um angariador de seguros dirige-se a casa de um cliente para tratar da renovação de um seguro automóvel. Em vez de apanhar o cliente, apanha a mulher do mesmo acabada de sair do banho e enrolada numa toalha. Depois de um primeiro jogo de palavras sobre estar “fully covered” Phyllis (já vestida) e Neff têm um dialogo aparentemente inocente sobre apólices até que a conversa vai parar a uma pulseira que Phyllis ostenta no tornozelo.

Neff: I wish you'd tell me what's engraved on that anklet.
Phyllis: Just my name.
Neff: As for instance?
Phyllis: Phyllis.
Neff: Phyllis, huh. I think I like that.
Phyllis: But you're not sure.
Neff: I'd have to drive it around the block a couple of times.
Phyllis: Mr. Neff, why don't you drop by tomorrow evening around 8:30? He'll be in then.
Neff: Who?
Phyllis: My husband. You were anxious to talk to him, weren't you?
Neff: Yeah, I was. But I'm sort of getting over the idea, if you know what I mean.
Phyllis: There's a speed limit in this state, Mr. Neff, 45 miles an hour.
Neff: How fast was I going, Officer?
Phyllis: I'd say around 90.
Neff: Suppose you get down off your motorcycle and give me a ticket.
Phyllis: Suppose I let you off with a warning this time.
Neff: Suppose it doesn't take.
Phyllis: Suppose I have to whack you over the knuckles.
Neff: Suppose I bust out crying and put my head on your shoulder.
Phyllis: Suppose you try putting it on my husband's shoulder.
Neff: That tears it... (He takes his hat and briefcase after his advances are coldly rebuffed.) 8:30 tomorrow evening, then.
Phyllis: That's what I suggested.
Neff: You'll be here too?
Phyllis: I guess so. I usually am.
Neff: Same chair, same perfume, same anklet?
Phyllis: I wonder if I know what you mean.
Neff: (Opening the entrance door.) I wonder if you wonder.

segunda-feira, julho 16, 2007

Tese de Mestrado #1

"O Surgimento do Tapume-Tuning e a Influência da Luz Inferior no Processo de Procriaçãõ das Tainhas do Tejo ou As Novas Formas de Varrer para Debaixo do Tapete"

Agora que Lisboa está na boca de toda a gente, avanço a primeira das minhas propostas para teses de mestrado que nunca farei. Esta, a propósito de uns estranhos tapumes com luz azul por baixo que parecem ter surgido para esconder as obras que destruíram o Cais das Colunas em frente à Praça do Comércio. Porquê? Segundo a nova vereadora Helena Roseta para que os senhores que vieram a Lisboa para a tomada de posse de Portugal à frente dos assuntos europeus não ficarem mal impressionados.

segunda-feira, julho 09, 2007

Por causa dos chineses

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Por causa do Museu de Sintra, por causa do CCB, por causa dos anúncios e das acções do Millennium BCP, por causa da OPA ao Benfica e agora por causa do Jardim do Oriente, Joe Berardo continua a ser uma notícia constante. É esta figura, misto de Berlusconi, Paris Hilton e Calouste Gulbenkian, o responsável pela construção do jardim oriental/budista que está a surgir entre o Bombarral e o Cadaval, na Quinta dos Loridos.
O espaço de 35 hectares, terá, no dia de abertura e segundo a Gazeta das Caldas, 6 mil toneladas de estátuas. Há duas semanas atrás eram já muitos os olhos rasgados e não deixava de ser bizarro estar em plena Estremadura, terra de festivais vinícolas, da Feira da Pêra Rocha e das Grutas da Lapa do Suão e das Pulgas, estar a conviver com gigantes estátuas de Shiva e de Buda.

“As obras ainda estão quase no início e até Dezembro, quando estiverem concluídas, o número de estátuas será quatro vezes maior do que o actual. Na região, a Quinta dos Loridos já é local de peregrinação desde que passou a palavra que ali estão a construir um tão estranho jardim. Aos fins-de-semana vão famílias em romaria visitar as obras e tirar fotografias às estátuas. Em declarações à Gazeta das Caldas, (Joe Berardo) diz que teve a ideia de construir este jardim quando soube, indignado, da destruição das estátuas do Buda pelos talibans no Afeganistão. “É uma homenagem aos budas que foram bombardeados e será o maior jardim do Oriente da Europa”, disse.”

Ao que parece as estátuas foram todas compradas à China e algumas delas foram esculpidas num muito viajado granito português.

sexta-feira, junho 29, 2007

Ricardo II

em campo no D. Maria II com uma cenografia e figurinos fantásticos em que o cenário é um relvado, o trono uma cadeira de praia, o simbolismo da morte são dois baldes e as vestes de época são trocadas por equipamentos de futebol retro.

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Encenação NUNO CARDOSO / Cenografia F. RIBEIRO / Figurinos STORYTAILORS

quarta-feira, junho 27, 2007

respira

"[...] sentes água nos pulmões? pressão no peito?
não é água. é acidez, é amargura.
é um peso de chumbo, é carvão que já ardeu.
vai apanhar penas e rebola na lama, bem que o podias fazer.
vai à merda, filho de uma égua. vai à merda.
então, que é isso, não desistas. respiras ainda.
perdeste o brilho? que é isso que se ouve quando ris?
é nada, mais que nada. é oco.
vai à médica. a senhora doutora lá saberá que comprimidos te vão curar.
é riso gravado. é contentamento de nada. é um reflexo condicionado.
sabes lá tu. não consegues é ver o que realmente importa. não te estás é a ver bem.
inventas. deliras. tu o que tens é febre. tosse lá para eu ouvir.
vai à merda, filho de uma égua. vai mas é à merda.
é preciso paciência para ti, realmente. vamos lá outra vez. o que é que tens tu afinal?
nada, menos que nada. vontade de correr. mas fumo demasiado, e tenho tosse.
então deixa lá de fumar, faz uns sumos, dorme como deve ser. e vais ver que isso passa.
não tarda estás a correr a maratona.
corre tu, não te disse já para ires à merda?
e vou, deixa-lá isso. tens tudo o que é preciso. outros no teu lugar andavam contentes.
claro que andavam. tens toda a razão. tu e os outros todos. todos têm toda a razão. todos sabem o que é bom. mas isso dá me cá um abalo ao pífaro que nem calculas.
então e vais ficar nesse estado? feito parvo?
não.
não? e o que é que vais fazer?
não sei.
mau. és mesmo parvo. vá, tens que pensar como é que mudas, ora essa!
como sempre. fico na mesma. será o que for. como for. posso fingir que sei mais do que sei. mas não é verdade. vou inventar.
isso não é nada inteligente....
hahahaha pois não. nunca tive grande queda para decisões inteligentes. [...]"

terça-feira, junho 26, 2007

évora blues

caderno50


Sábado, cinco e meia da tarde, numa esplanada na Praça do Giraldo.

- Traga-me uma mini, se faz favor.
- Mini? Mini, o quê?
- Uma mini, caramba.
- Sim, mas tem muita coisa mini aqui.
- Uma cerveja. Uma mini, ora essa.
- Há, cara, não tem não.

Era sábado, nos sábados não há sopa de tomate na Oficina.
Por ser sábado. Toda a gente sabe.
Também não há minis. Muita gente não sabe o que são.

No domingo estive com o J, diz-me vezes sem conta:
- Eu agora não espero nada. É um dia de cada vez. È o que conta. Já não me chateio.
Um dia de cada vez. Não vale a pena. Temos que ir com calma. Devagarinho.
É a vida. É assim. O importante é ter saúde. Isto é tramado, difícil. Sabes como é.
Já não tenho ilusões. Não quero é chatices. Estou bem assim. Com calma.

Depois encontro a C. na caixa do supermercado.
- Então rapaz, não te via há anos, dá cá um beijo.
- Pois é, pois é.
- Tens uma t-shirt muito gira, onde a compraste?
- Não sei... já não me lembro.
- Mas não te via há muito tempo.
- Pois, estou à onze anos em lisboa, sabes como é....
- Também estive em lisboa, a tirar um curso de fotografia. Mas o meu marido roubou-me o coração e voltei, por causa do meu filho.
- Claro, fazes bem.
- Sim, mas tu sabes que foi pelo meu filho, sabes o meu Q.I.
- ....
- Se não sabes, pelo menos imaginas. Eu ainda continuo com a fotografia. Mas fotografia artística. Como sempre foi, aliás.
- ....
- Bem, dá cá mais um beijo, gostei de te ver.
- Também eu, rapariga.

Saio do supermercado com três garrafas de tinto, duas com o nome escrito em braille, e uma tristeza profunda no coração.

segunda-feira, junho 25, 2007

O Estado do Mundo

Estado do Mundo 1
Este é o estado dos jardins da Gulbenkian, coberto de padrões vários a propósito do Forum Cultural Estado do Mundo.
Estado do Mundo 2

quinta-feira, junho 21, 2007

Provavelmente



é assim que muitas crianças vêem o mundo animal. Da Saatchi London.

a casa

constrói a tua casa

com ferro e pedra,

com pena e dor.

constrói a tua casa

como um forte,

para que não

venha nada mais.

constrói a tua casa

de pena e dor,

de ferro e pedra.

como um forte,

para que nada, nunca mais.

achas que sim?

terça-feira, junho 19, 2007

Nem Chen nem Cardinalli

Enquanto andam uns na demanda do que é original, novo e fresco, a tentar reinventar a roda, para outros, mais espertos e práticos, um lifting, duas marteladas contrafeitas e já está, temos ideia, temos identidade.

segunda-feira, junho 18, 2007

Multidão


Depois de feita uma pequena etapa do Camel Trophy e de descermos de corda até à praia, tivemos de aturar, não uma, não duas, não três, mas umas dezenas de gaivotas sem arcas frigoríficas, sem filhos, sem bolas a saltar, sem gritos tipo "Anda cá Vasco Manuel!", sem vendedores de gelados, sem bandeiras. Nada! Foi um aborrecimento, foi sim senhora.