
Há bem pouco tempo elogiei um dos melhores cartazes politicos que já vi, agora descobri que a mesma ideia foi premiada na primeira edição de Prémios de Stickers. Mais uma vez fica a dúvida (o que não invalida nenhuma das ideias): cópia ou coincidência?
terça-feira, abril 11, 2006
Pensos
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O Despachante
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5:12 p.m.
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segunda-feira, abril 10, 2006
Ironia sobre rodas
De manhã vi um reboque a arrastar atrás de si uma inválida carrinha de transporte de pessoas com cadeiras de rodas.
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O Despachante
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11:45 a.m.
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sexta-feira, abril 07, 2006
Partir
Quebrar, abandonar, dividir, deixar para trás.
Eu sei que vou voltar. Tenho o trabalho. A casa e o carro.
E os outros trabalhos. E a família.
Mas até o mais desiludido dos homens, sonha com o improvável.
Com a oportunidade de virar tudo de pantanas.
De dizer que já chega disto, agora não aturo mais ninguém.
Até um céptico sonha com o fim desta digestão difícil de vida.
Vou inventar uma série para o 28. Para me ajudar nestas últimas horas na agência.
Que a agência faz sempre questão de te mandar de férias no limite do suportavél.
Quando estás prontinho para que te alterem o que quer que seja e teres desculpa para arrancar algumas cabeças.
Vou sonhar com a série do 28, para me embalar até ao meu destino.
Um, pelo Mundo onde todos os encontros são possíveis.
Dois, pelo Sol e a Lua em eterno devir.
Três, pelos lados do Triângulo.
Quatro, pelos Elementos Primordiais.
Cinco, pelos dedos da Mão que tudo transforma.
Seis, pelo primeiro Número Perfeito.
Sete, pela Arte que não nos deixa perecer.
Oito, pelos Amigos de viagem.
Nove, pelos Planetas onde acreditamos um dia chegar.
Dez, pela Regra e pela Medida.
Onze, pelo Fim do Dez.
Doze, pelo Ciclo Completo.
Treze, pelo Aleatório.
Quatorze, pelo Passado e pelo Futuro.
Quinze, pela Fénix.
Dezasseis, pelo Desassossego.
Dezassete, pela Mulher.
Dezoito, pelo Medo de não conseguir.
Dezanove, pela Perda.
Vinte, pelo Sangue e pelo Vinho.
Vinte e Um, pelo riso e pelo Choro.
Vinte e Dois, pela Mentira que nos mata.
Vinte e Três, pelo Caminho.
Vinte e Quatro, pelo Esquecimento que acalma.
Vinte e Cinco, pela Falta e pela Ânsia.
Vinte e Seis, pela Miséria e pelo reflexo.
Vinte e Sete, pelo Deserto.
Vinte e Oito, pelo segundo número perfeito.
Esta foi a série do 28.
São 23 horas e 29 minutos.
E não devia estar sozinho.
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Sr. Nefasto
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10:33 p.m.
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Os poderes da super-account (uma história verídica)
Vou omitir nomes de pessoas, de agências e de fontes de informação, mas garanto que esta é uma história que não só se passou como ainda se passa, esta é a história de uma mulher, account supervisor, que se entregou à profissão de uma forma exemplar e admirável.
Dia de apresentação de um trabalho importante. A account leva as k-lines debaixo do braço, o CD com a apresentação em powerpoint, aquele decote que ajuda sempre a prender a atenção dos clientes cheios de testosterona, e algumas palavras-chave aparatosas debaixo da língua, para defender as propostas de qualquer ataque inesperado. Está tudo pronto para a reunião ser um sucesso, portanto? Errado, falta o pormenor que faz roda a diferença.
Não, não é uma nova táctica de marketing, uma análise SWAT revolucionária, uma filosofia empresarial específica ou uma táctica de apresentação disruptiva.
Quando chega ao cliente, alguns minutos preciosos antes da hora marcada, a super-account vai à casa de banho, fecha a porta e desce uma das mãos até à sua zona nevrálgica por excelência. E então masturba-se até atingir o orgasmo.
Porque raio? – perguntam os mais inocentes desconhecedores da vida animal.
Por causa das feromonas. Os odores libertados pela orgasmo e pelo suor contêm feromonas, sinais químicos não detectáveis pelo nariz, mas apenas pelo órgão vomero-nasal, também conhecido por nariz-sexual. Ora as feromonas são responsáveis por atrair os espécimes do sexo oposto e por alterar o comportamento dos mesmos. Resultado: 0% de chumbos nas apresentações aos clientes.
Muitas conclusões se poderiam tirar deste case-study, eu tiro uma: os instintos mais básicos, na savana ou na sala de reuniões, são uma das melhores ferramentas de marketing.
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O Despachante
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2:42 p.m.
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Dear Wendy

Realizado pelo Thomas-A-Festa-o-melhor-filme-do-Dogma-Vinterberg, escrito pelo autor mais demente dos últimos anos e que anda com uma fixação por um país onde se recusa a pôr os pés, sim o Sr. Lars Von Trier, Dear Wendy aparentemente parece um filme de adolescentes com um cenário de Western e armas muito fotogénicas. Mas de certeza que deve ser muito mais do que isso. Porque é que isto ainda não estreou por cá? O filme é de meados de 2005, cum camandro!
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11:07 a.m.
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quinta-feira, abril 06, 2006
Excertos da vida quase real


Tampo de Sanita da casa de banho da ZDB e parte do cenário da peça "Eurovision" dos Teatro Praga, também na ZDB.
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10:06 a.m.
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terça-feira, abril 04, 2006
quarta-feira, março 29, 2006
sexta-feira, março 24, 2006
terça-feira, março 21, 2006
Senti-me mesmo inteligente quando
cheguei sozinho a esta conclusão: O Iraque é a nova Faixa de Gaza.
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O Despachante
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12:19 p.m.
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(no entretanto) 2




"Hoje, o Parque Mayer é um quarteirão cultural entregue aos bichos. Lá dentro, o Teatro Variedades é dominado por várias gerações de gatos e pelo cheiro da sua característica urina; o Teatro Capitólio constitui provavelmente o maior pombal modernista da História e os restantes tímidos teatros e restaurantes estão aos caídos e às moscas. Mas não foi sempre assim, foi neste local que se atingiu o expoente máximo do Teatro de Revista, que teve nas décadas de quarenta e cinquenta um período áureo e fulgurante.
O declínio veio com a revolução de 25 de Abril de 1974, talvez porque o processo revolucionário em curso não precisasse de plumas e burlesco.
O último fôlego da revista dividiu-se pela Avenida, assentou arraiais no Politeama, pela mão do encenador Filipe La Féria, e morre lentamente no Maria Vitória, teatro que aguarda o abate e o início das obras da anunciada reabilitação e requalificação do Parque sob a batuta de Frank Gehry.
O Teatro Capitólio, o primeiro grande edifício do Movimento Moderno em Portugal, foi recentemente seleccionado para a lista World Monuments Watch - 100 Most Endangered. Os gatos e pombos no local não mostraram grande entusiasmo com a notícia."
Palavras retiradas de um texto escrito para a revista Zoot, revista de moda com sede em Portugal, escrita em inglês e com fotografias, essas sim, a sério. O último número (Nº2) é inteiramente fotografado e dedicado ao Parque Mayer. Infelizmente mais uma vez é o pessoal lá de fora a fazer algo pelos últimos destroços do que há cá dentro. Isto não é para dizer mal, também ha portugueses no projecto, mas o empurrão internacional é quase sempre necessário. Por falar nisso o único documentário de que ouvi falar sobre o Parque Mayer chama-se "Le Parque Mayer, vues et revue" de Simon Berjeaut e passou na Cinemateca a 20 de Outubro. O mesmo autor também publicou o livro "Le Téâthre de Revista, un phénomène culturel portugais". Conclusão: antes entregue aos estrangeiros do que aos bichos.
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11:31 a.m.
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segunda-feira, março 20, 2006
quarta-feira, março 15, 2006
Proibido

Aqui está uma coisa que sempre quis fazer: intervir nos sinais de trânsito e dar-lhes um novo sentido.
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12:18 p.m.
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sexta-feira, março 10, 2006
Corta para [...]
Cabrões. Venham, venham lá.
Estamos aqui para isto. Ainda somos novos, a carne ainda está tenra, o sangue ainda está fresco. Venham.
Mas atenção que os joelhos custam a dobrar, a cabeça teima em permanecer erguida, e a boca ainda abocanha com força.
Por isso cuidado, cabrões.
Podem levar tudo, pedir tudo e dizer que não chega. Estamos aqui para isto.
Mandem vir os seguranças, os cães policia, os secretários e os directores. Venham lá, cabrões.
Ficamos de pé. Tirem tudo, tirem que nós temos memória, nós sabemos o que nos foi tirado.
Temos de sobra, nós é que temos.
E isso, cabrões, é o que vos custa.
O vosso único prazer é tirar. E engordar.
Nós temos mais, temos sempre mais.
[...] para nada. Corta apenas.
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Sr. Nefasto
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4:12 p.m.
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quarta-feira, março 08, 2006
Daren Rabinovitch
Este é um dos fotógrafos/artistas plásticos mais originais que descobri nos últimos tempos. É ele próprio que constrói os próprios modelos que fotografa. Trabalhou também na construção dos modelos utiizados no filme The Life Aquatic with Steve Zissou de Wes Anderson. Mais fotos e entrevista aqui.
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5:40 p.m.
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terça-feira, março 07, 2006
Inimigo pelas costas




4 cartazes do primeiro filme de Steven spielberg - "Duel" - O alemão e o polaco na linha de cima e o francês e tailandês na linha de baixo. Nem vou mostar o cartaz original, mas asseguro-lhe Sr. Nefasto que era o pior deles todos. Mais uma prova que muitas vezes as remixes e reinterpretações superam os originais. Obrigado pelo link dos cartazes polacos.
Para quem não conhece o filme, a história relata uma road trip em que um desconhecido num camião tenta eliminar o herói do filme no seu percurso de A para B. Um dos melhores filmes do Sr. Blockbuster, estreado inicialmente na televisão.
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O Despachante
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12:38 p.m.
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quarta-feira, março 01, 2006
Melhor argumento original
Se alguém me perguntasse eu respondia que o óscar deveria ir para esta menina, o argumento do Woody teria pouca argumentação sem os argumentos desta Lolita. (Peço desculpa pela frase "pescadinha-de-rabo-na-boca).
Já agora passo a juntar-me ao grupo de defensores explicadinhos da Scarlett: o segredo é simples she has the looks mixed with the look of girl next door. Uma questão de acessibilidade portanto. Scarlett não é uma deusa que voa baixinho na sua nuvem. Não, ela anda mesmo cá em baixo, e os outros mortais poderão perfeitamente encontrá-la a comprar cenouras e bróculos na mercearia da esquina. (Pelo menos é isso que ela parece transmitir). As mulheres perfeitas não têm nada de especial. Mais normalidade aqui.
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O Despachante
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12:48 p.m.
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I Walk the Line
Por muito que ande na linha, será que se um dia desatar a acreditar em Deus, ele vai acreditar em mim?
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Sr. Nefasto
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10:17 a.m.
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sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Caso raro 1

Descobri que no único cinema de Tomar, existe uma casa de banho muito específica, é para mulheres, correcto, mas sósias da Princesa Leia.
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O Despachante
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7:30 p.m.
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quinta-feira, fevereiro 23, 2006
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Encontrar uma motivação
“Enquanto lhe preparavam a cicuta, Sócrates pôs-se a aprender uma ária na flauta. Para que te servirá?, perguntaram-lhe. Para saber esta ária antes de morrer”.
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O Despachante
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5:32 p.m.
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segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Gárgulas



Adoro estes monstros cuspidores de água. (Do b. lat. gargùla- garganta, «id.», pelo fr. ant. gargoule, «id.»)
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O Despachante
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6:52 p.m.
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Estratégias de Venda


Já não é a primeira vez que assisto a tal exposição de produtos, mas em Tomar é rara a loja que à noite não aproveita os ladrilhos como montra. Aventuro-me a adivinhar o pensamento ruminante do vendedor: "Os transeuntes nocturnos vão ficar tão fascinados com esta querida roupinha de bebé a servir de tapete que estão aqui batidos amanhã de manhã ainda antes da hora de abertura."
Quanto à segunda fotografia (vejo-me temporariamente nesta difícil profissão de crítico de montras e métodos de exposição) acho uma deliciosa explosão de criatividade a maneira como os vitrinistas conciliaram uma livre representação do átomo com as várias percentagens de saldos.
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O Despachante
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6:23 p.m.
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quarta-feira, fevereiro 08, 2006
O nosso homem na cave
Um director de arte que gosta de desenhar, um fotógrafo que gosta de cozinhar, um viajante que gosta de tocar, são várias as etiquetas que se podem colar a este homem renascentista que agora, no mundo da música, tem um alter ego muito publicitário – (Logo), assim mesmo, entre parênteses para ir para o topo da lista do iTunes. Depois de 60 dias de clausura em busca das melodias certas, nasceram onze músicas e um disco –Download This – quase totalmente disponível para download grátis em site próprio (há duas músicas extra só disponíveis na edição em LP).
Após um interregno em que foi globetrotter pelo mundo fora durante oito meses, (Logo) regressa ao projecto e está pronto para os contratos milionários com grandes multinacionais sedentas de novos projectos para corromper.
Poderia dizer que há algo de U2, algo de Radiohead, algo de Bowie e muito dele próprio, mas o melhor é cada um ser o seu próprio critico e inventariar possíveis influências. Saquem, ouçam, divulguem, critiquem, comprem, mas não ignorem.
Parabéns Paulo.
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O Despachante
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5:43 p.m.
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sexta-feira, fevereiro 03, 2006
“Se não os podes vencer, vende-lhes.”

Recentemente, num dos bairros de Amesterdão, foram colocados em vários locais públicos novos sinais que proíbem o consumo de marijuana. Aconteceu o que muita gente já estaria à espera: foram todos roubados no espaço de um dia. Agora, as autoridades não apresentaram queixa nem pediram uma investigação ao Ministério Público, nada disso. Puseram simplesmente os sinais à venda por 90 Euros a unidade. Dentro de pouco tempo todas as CoffeeShops apreciadoras de ironia terão um de certeza. Deixo para cada um as ilações que este vandalismo VS mercantilismo poderá originar.
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O Despachante
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12:28 p.m.
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quarta-feira, fevereiro 01, 2006
correcto, político.
Temos que ser do nosso tempo. Acredito nisso quase sempre, mas de quando em vez irrita-me solenemente estes tempos correctos em que vivemos. Tão certinhos, democraticamente intolerantes com a divergência. A moral, esta que está instalada como a certa, a bem pensante apertou de tal forma o cerco sob a casca de correcta e tolerante que sufoca na sua bondade universal.
Estamos espartilhados por uma norma puritana. Não fumamos porque faz mal, não bebemos porque faz mal, não excedemos os limites porque faz mal, não dizemos o que nos vai na alma porque faz mal, não comemos como selvagens porque faz mal. Não damos tabefes porque faz mal. Faz mal, faz mal. Tudo faz mal, menos não fazer nada e ficar quieto e manso.
Pois que não. Que estou farto. Que merda é esta de madorna? Que entorpecimento é este que transforma os jovens rebeldes em cordeiros amansados? Onde estão os nossos "Misfits"? Os divergentes, os inadaptados?
Acordem! Acordem-me! Acudam-me!
O cinema dos anos setenta na América era mais ousado que o cinema independente europeu dos dias de hoje. Os pintores, os arquitectos e os designers dos anos oitenta tinham mais sentido de humor que os de hoje. Agora ninguém parte nem um ovo sequer. Tudo é ecológico, reciclado e reutilizável. Acético e inodoro.
INODORO.
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Sr. Nefasto
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2:58 p.m.
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Santa Maria III
Um pequeno paradoxo para acabar a saga hospitalar.
Em que local é que uma velhota numa cadeira de rodas a gemer que vai morrer não desperta nenhuma acção ou compaixão? Num hospital.
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O Despachante
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12:03 p.m.
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sexta-feira, janeiro 27, 2006
Santa Maria II
(H. S. M.) (H.S. J.) (H.C.)
Sou uma pessoa simples. Quer dizer, estou a começar a ser uma pessoa simples. Em questões de padrões, por exemplo, dêem-me cobertores, lençóis ou pijamas com ursinhos, com o Rato Mickey, com quadrados cor de rosa, com elementos vegetais pirosos, com as decorações mais foleiras que conseguirem imaginar, aceito tudo. Só não quero siglas.
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O Despachante
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6:28 p.m.
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Santa Maria I
Quem dá entrada no Hospital de Santa Maria, passa pela triagem das Urgências e ganha uma folha A4 cheia de códigos de barras, sendo que um deles vai directamente para a lapela do Utente. Nessa folha A4 denominada "Serviço de Santa Maria - Serviço de Urgência Central" existem várias hipóteses com quadradinhos à frente. Depois de enunciados 6 tipos de alta diferentes a lista segue assim:
Recusou internamento
Abandono c/ acto médico
Abandono sem acto médico
Entrou cadáver
Falecido c/ certificado óbito s/ autópsia
Falecido c/ certificado óbito c/ autópsia clínica
Falecido c/ certificado óbito c/ autópsia médico legal
A frieza administrativa com que se passa do quadradinho de um abandono do hospital (por falta de tempo / paciência) para o quadradinho “entrou cadáver” foi mais um passo para me licenciar na cadeira Constatação Evidente da Fragilidade Humana.
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3:16 p.m.
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terça-feira, janeiro 24, 2006
Ao Príncipe
"Em resumo, o príncipe não deve ter grande medo de conspirações se o povo for seu amigo, mas se o povo não for seu amigo e, pelo contrário, o odiar, deve temer todos e todas as ocasiões. Assim os Estados bem governados e os príncipes sensatos dedicaram sempre todos os seus cuidados a não despertar os grandes e a satisfazer e a contentar o povo, pois é essa uma das tarefas mais importantes de um príncipe."
in "O Príncipe", de Maquiavel.
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Sr. Nefasto
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10:16 a.m.
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segunda-feira, janeiro 23, 2006
terça-feira, janeiro 17, 2006
Avila
Ao subir as escadas, antes de chegar ao quarto, entre dois grandes quadros onde castelhanos com trezentos anos nos contemplam, uma frase escrita em caracteres góticos pintada na parede "En esta casa, Dios asta en la cocina"
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Sr. Nefasto
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7:09 p.m.
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terça-feira, janeiro 10, 2006
segunda-feira, janeiro 09, 2006
quarta-feira, janeiro 04, 2006
As palavras têm poder.

No "Typing of the Dead", sequela do House of the Dead, o jogador em vez de matar zombies a tiro de pistola ou caçadeira, manda-os para o outro lado com a força das palavras.
Coisas que só os japoneses entendem. E que nós com o nosso pragmatismo exarcerbado já não conseguimos gostar.
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Sr. Nefasto
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10:22 a.m.
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segunda-feira, janeiro 02, 2006
Nem tudo são rosas, nem tudo é arco-íris
A Zona da Graça, Sapadores e Santa Engrácia tem umas quantas vilas e pequenos páteos parados no tempo e no esquecimento, esta é a entrada para uma das vilas abandonadas, onde atrás se encondem umas barraquitas e a periferia de uma periferia (Chelas?).
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O Despachante
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1:57 p.m.
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Mi obssession, tu obssession

Sim, eu agora tenho uma obsessão nova, e fica ali atrás na Rua Bartolomeu da Costa.
Na minha segunda noite a dormir alegre no chão acordei e fui explorar a minha zona.

Não se está mesmo a ver onde é?
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O Despachante
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1:45 p.m.
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E as obsessões?

Esta talvez seja uma boa foto/frase para começar o ano.
Porquê? Porque toda a gente se lembra de desejar "bom ano e que todos os teus desejos se concretizem!", mas esquecem-se das obsessões. Sem elas somos uma amostra de coisa nenhuma.
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O Despachante
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1:41 p.m.
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